01 dezembro, 2011

"Unmarry" The Night

I'm gonna.. I'm gonna.. "Unmarry" the night. Desistir não deveria ser opção, guerrear sim! Com uma fraca visão nocturna, tudo se revela. Os fantasmas assolam a atmosfera, relatam entre si o seu maléfico plano para todos aqueles objectos que se movem sob o desolhar desses seres imaginários.
Esta noite escolheram um novo alvo para todas as suas torturas inimagináveis, o que mais poderiam fazer? Poderiam possuir-te, levar-te para o fundo do oceano e lá fazer-te explodir. Mas não, preferem tocar-te o exterior, poder sentir o teu sofrimento, eles têm fome.
Abusam de ti, deixam-te num canto, não vais poder fazer o que há muito querias, não te deixam! "Sofre, chora, berra e morre!" é o que te dizem silenciosamente, para que consigas incorporar tais hemorragias. Não tentes correr, estão congeladas, assim como o líquido conservado pelas tuas artérias.
Não olhes para mim, não te consigo ajudar, sou demasiado fraco, não um pecador. E agora?
Agarra em todas as tuas partes do corpo e respira lentamente.
Mesmo assim sentes um arrepio assassino que te percorre totalmente a coluna vertebral e o coração.
Então, e agora?
Vais levantar essa tua massa corporal, acordar desse terrível pesadelo e mostrar quem deve ser a massacrar?
Não, não vais. Nem te consegues levantar, ficas imóvel durante todo esse tempo à espera que apareça um anjo. Mas, eles também não existem.
Tremes, e não te posso aquecer. Que ódio! Tudo o que sempre quiseste foi-te tirado, malditos ladrões.

Continua debaixo dessa folha de papel, isso aquecer-te-á. Alguém virá para te salvar, não morras ainda. Como eu, há quem te diga o quanto vencedor és! Não precisas de ser pecador, martirizar aqueles de quem mais gostas, rebentar com tudo, usar dinamite, ou engolir uma bomba nuclear!
Chora e depois seca as lágrimas! Sabes que és capaz, ou deverias saber.
Esses fantasmas serão os últimos a poder usar-te.
E, se as noites se tornarem muito frias..
.. usa um fósforo e o jornal.
De certeza que ficarão mais quentes.

Com amor, o soldado.

25 novembro, 2011

Anti-Acústico

Alguém me disse para nunca ter medo.
Eu acreditei, nem pestanejei.
Mas depois, tive de fechar um olho perante o outro, com educação.
Alguém me disse que é sempre difícil esquecer alguém de quem gostamos e, mesmo que queiramos esquecer, vamos sempre recordar - foram momentos que obtidos e vividos, cujo sentimento será ultrapassado, não será igual. Mas, onde está isso tudo que me fora prometido?
Terá sido o relógio do teu pulso que ainda não permitiu que esses ponteiros de chumbo ganhassem vida e pudessem respirar? Dar voltas, girar e cortar o ar.
Já sei, sou um mero ser vivo, passivo das vontades do tempo, só ele me pode chicotear ou amar.
Deixei que por mim entrasses, como se de uma porta se tratasse, que poderias usar e abusar à tua má vontade, mas não. Entraste, trancaram-te, e de lá já não te consegues soltar! E enquanto te carrego, tu usas as tuas unhas como se de um lápis de bico partido se tratasse? Por lá inicias um processo afiado, e derramas as paredes que se separam de mim.. Eu queria.
Porque vieste tu? Porque tiveste de te apressar? Tinha de ser tudo desta forma?
Não te quero, sai de mim, nem que para isso tenhas de rebentar com tudo. Revolta-te! Solta-te, cria a tua liberdade! (E a minha).
Maior dolorosa sensação é aquela que sinto quando te sentas num canto, a respirar e alimentar.
Marioneta tua, sou eu. Sendo tu uma vasta rede cancerígena, controlas tudo o que queres, tens-me sem vida, aproveita! Este será o futuro que para mim traçaste, aquele que eu próprio defendi. Não sabia, enganaste-me, deste-me a provar aquelas tuas maçãs.
Mas, alguém também me deu a conhecer a evolução, o tempo e a luta!
Não penses que me controlas o saber, não aches que me mataste, não fiques à espera que aja por ti. Não há nada pior que seja fazer-te encarar o teu aspecto. Olhar-te-ás a um espelho, e não conseguirás nada!
Vou-te agarrar e possuir! Vou-te comandar e obrigar-te a pronunciar por mim:
"Vou afastar o medo, agredi-lo da mesma forma que ele o executou em mim, e expulsá-lo! Vou decidir tudo aquilo que decidiste por mim, sem que eu pudesse decidir. Foi como se eu fosse teu escravo, como se me tivesses comprado enquanto eu estava marcado e derramado num imenso deserto."
É isto que vou obrigar-te a fazer por mim, eu irei fazê-lo! Já nada será como antes, mas pior não será, igualmente.
Está perto o dia em que, se não te soltares, puxar-te-ei pelas minhas próprias mãos, abrirei um túnel nos meus pulmões e respirarei! Arrancarei os meus olhos e poderei ver! Arrancarei o coração e poderei amar!


Adeus medo.
Assinado: o teu assassino.

06 novembro, 2011

E agora?

É como se tu gritasses, mas ninguém pudesse ouvir. Tu sentes-te sempre envergonhado, por alguém poder ser tão importante daquela forma - sem essa pessoa tu sentes-te como um 'nada'. Nunca ninguém vai entender o quanto isso dói. Tu sentes-te sem esperança, como se nada te pudesse salvar, tudo se foi e está acabado. Tu quase desejas ter de volta todas aquelas coisas más, só para que com elas venham as boas...

O que tu queres não admites. Tens medo, mas porque não arriscar? Tentar faz parte, lutar, berrar, chorar e morrer! Mas sorrir também, e consigo vêm todas as formas que desejas...
Aparentemente, estás fechado num túmulo que de lá não consegues escapar, estás lá trancado; fazem contigo um jogo que não consegues resolver, falta-te a chave!
Sentes-te impotente, eu sei!

Está frio onde estás, como se o gelo dilacerasse todo o teu corpo e mente, nada compreendes. Cria os teus próprios esforços, tens de conseguir, mas não será nada fácil. Como se de uma súbita magia se tratasse, faz acontecer!
Não esperes por algo que poderá ou não acontecer, poderá ser tarde...
Agarra-te ao que tens, não deixes nada escapar!

Mas queres ajuda? Só tu o poderás fornecer. Prepara-te para toda a mistura sensorial, poderão ser do teu agrado, mas também te poderão aniquilar. Eu vou ficar a observar, mas dar-te-ei todo o meu apoio!
Desabafa comigo e dir-te-ei o que precisas. Não consegues?
Fecha os olhos, respira, e expulsa todos os teus pensamentos, como se apenas o espelho se encontrasse em frente à tua cara.

E agora, o que vais decidir? Vais ficar sentado à espera que o que tanto desejas aconteça? Ou vais pegar nos teus óculos, na tua mochila e no telemóvel, levantares-te e ires para essa aventura? Só tu podes decidir!
Não será fácil para ti, mas quem disse que seria?
Após isto, diz-me: E agora?

28 outubro, 2011

Dupla Hélice

Foi uma vida evolutiva com dois eixos alojados em todo o seu percurso. Porém, nem sempre podemos dizer que o ritmo é, sempre, o mesmo. Imperfeita foi essa hélice, deveras, afinal. Será necessário uma demolição fatal - game over. Todas as vidas acabaram, e agora? Basta, para mim, reiniciar o cérebro e construir uma nova hélice? Supor que tudo não se passou? Mas, afinal, como justificaria eu os bónus que obtive durante toda este jornada?
Feridas costumam sarar, mas e amputações? Que mistura adversa quis explodir? É uma chamada de um demónio, tentando escapar desta prisão irreal? Foge, ser indefeso, mostra as tuas verdadeiras garras, rasga toda a carne fresca que possas encontrar, sacia toda a sede que tens desse líquido encarnado e revitalizante, que matas para ter, mas te dá vida! Ironia da morte.

Enquanto bebeste tudo, perdes tempo nesse ciclo contínuo, não paras! Mas, olha para ti, estás bem assim. Tu sim, desces e sobre a tua vida através de uma dupla hélice perfeita! Nem feliz, nem infeliz. Apenas porque sim. Aparentemente, gostas. Essa tua simetria, a que chamas de rosto, transmite toda a tua dor. Afinal, que estás tu a sentir? Não sentes? Matas, portanto! Foste assim ensinado, vives na tua perfeição, inabalável. Porque não posso ter garras, também, e espetar na traqueia daqueles que me aparecem à frente, arrancar-lhes as entranhas, esfregar-me por todos esses recheios e sentir-me histérico!

Mas, sabes que mais? Já sei: aniquilarei esta minha hélice, e guardarei todas as suas cinzas numa caixa, bem minúscula! Abrirei uma cova, vou dar uma pancada nesse objecto, para que lá fique armazenado. Farei o que for preciso, nem que morra desidratado, ou que fique tapado por todos os rochedos que terei de mover! Toda o solo será abalado, mas e daí? Nada me deterá, nem que tenha de voltar cá e repetir tudo, vezes e vezes sem conta!
A partir da última pedra colocada no topo, por mais insignificante que seja, mudarei, serei livre, e serei escultor! Trabalharei uma nova rocha, e surgirá um novo ciclo! Cada vez mais perfeito, em relação ao anterior!
Então, sim, estarei pronto!

(Uau, curioso, já comecei a fazer a cova, prepara-te caixa maldita, já falta pouco!)

02 outubro, 2011

O pensamento D

A antecede o B, que empurra o C. Mas quem chegou agora, foi o D. Uma sequência inteligente, mas mortal. O pensamento, até ser partilhado, não te tortura, fere ou mata. Se te pode ajudar? Claro, mas esse é um dos três precedentes. Avanças e depois queres recuar mas, lamento, o trânsito parou. Rasteja aos meus pés, vais sofrer aquilo que eu senti.
Não agora, porque não consigo.
Ó ignorância, tens medo de mim? Avança, enfrenta-me em qualquer momento! Agora tens vantagem, mas não prometo que venças. Por mais que o queiras, terei sempre um livro que te irá repelir, tu não aguentarás!
E agora, buraco maldito, abre-te, suga e leva tudo! Não te preocupes, eu já estou a caminho, vou preencher-te por todo, vou lá desenvolver-me e criar o meu ambiente. Não será a nossa imaginação, será realidade. Vais querer que eu de lá saia, mas não encontrarei a chave para a porta trancada. Se assim não fosse, alguma rocha teria a gentileza de se colocar como obstáculo.
Haja algo com boas intenções.

Vou-me habituando a isto, é como a minha rotina. Mas preciso de me divertir: isto é um tédio, não me apetece nada. Ou então apetece tudo, mas nem me decido.
Aaaaahh! Liberta-se um grito e de repente surge uma solução!

Traz-te a ti, que eu levo o revolver. Just for Fun.