07 janeiro, 2012

IV - Sol(ita)

Escassa-me o início
Para profunda solidão;
E não é fictício
O que procura o coração.
Por forma de santo, voaste;
Por mim, tuas asas juraste.
Mas onde elas estão?
Diz-me se nascerão!
E não me sabendo responder
Para trás, então, olhaste;
Se não sabes o que é sofrer,
Olha para mim, que fizeste?
Sem resposta obter, continuei
Sem nada me parar, te amei
Se nesta guerra de amargura
Nem tiraste a armadura.
Agora sabes o que rezar
Com teus olhos de escura cor?
Só não te tentes profanar,
Dessa forma sinto horror.
E apesar de ser "enfim"
Juras ter essa vontade;
Quando olhas para mim,
Porque dizes que é saudade?
Mata esse desculpar
Só me sinto aldrabado;
Quer me faça massacrar
Eu não posso terminar;
Não quero nenhum julgado
Não existe nenhum cruzado.

05 janeiro, 2012

III - Christmas Dream


Recinto alargado
Mórbidos sujeitos,
Ambiente alterado
Diferentes conceitos.
Penetrando pelo nada
Com norte para sul,
E uma abelha fulminada:
O céu já não é azul.
Não foi isto que aprendi
Relato apenas o que vi.

Nesta minha solução
A caneta é oração;
Possui renas e Assim,
Ditou, pois, o Querubim.
Branca armada mudou a cor
Negro era o seu calor.

Berra o galo por seu amor,
Tantas pessoas, só furor,
E tudo mostra esplendor...
Nesta dita exaustiva
Parte a parte é sugestiva
E caso queira enlouquecer
Vou ter de a obter.

04 janeiro, 2012

II - Impaciência


Fortes batidas
Demasiado sentidas
Vindas do engenho
Após o desenho.
Quer-nos controlar,
Ou antes, torturar;
Alcançada foi a missão
Mesmo contra a minha ilusão:
Quero avançar, rebelar
Não desesperar ou rebentar.
TIC
Talvez o último seja
"Ícaro" nem pestaneja
Contra o que ele deseja
TAC
Tentativa; acção; tentativa:
A quantidade massiva,
Conta final e decisiva.

Neste mar continuado
Onde o peixe é espetado
E o oceano rodado,
Por mim não é controlado.

Finalmente parou
Sua ordem soluçou:
Da praia me quer expulsar
O outro está a esperar.

03 janeiro, 2012

I

Vagueando assim
O que será de mim?
Vendo sempre sinais
Sem sentir os vitais.
As minhas garras e dentadas
No próprio ficam representadas;
Seus barros sanguíneos, estalam!
E tais tecidos epidermais, abram!

Vontade bastante ofegante
Embora nada cessante.
Um ajudante sem sorte,
Um representate vazio;
Tutelar do seu pousio
Recebe, assim, a sua Morte.

Imaginável operação
Não é mera opção;
Mas chamei-lhe gentil senhora
Tornando-se assim sedutora!
Para tão feroz proposta
Não há vadio glícido;
Se fosse menos exposta
Não seria aqui implícito.

01 dezembro, 2011

"Unmarry" The Night

I'm gonna.. I'm gonna.. "Unmarry" the night. Desistir não deveria ser opção, guerrear sim! Com uma fraca visão nocturna, tudo se revela. Os fantasmas assolam a atmosfera, relatam entre si o seu maléfico plano para todos aqueles objectos que se movem sob o desolhar desses seres imaginários.
Esta noite escolheram um novo alvo para todas as suas torturas inimagináveis, o que mais poderiam fazer? Poderiam possuir-te, levar-te para o fundo do oceano e lá fazer-te explodir. Mas não, preferem tocar-te o exterior, poder sentir o teu sofrimento, eles têm fome.
Abusam de ti, deixam-te num canto, não vais poder fazer o que há muito querias, não te deixam! "Sofre, chora, berra e morre!" é o que te dizem silenciosamente, para que consigas incorporar tais hemorragias. Não tentes correr, estão congeladas, assim como o líquido conservado pelas tuas artérias.
Não olhes para mim, não te consigo ajudar, sou demasiado fraco, não um pecador. E agora?
Agarra em todas as tuas partes do corpo e respira lentamente.
Mesmo assim sentes um arrepio assassino que te percorre totalmente a coluna vertebral e o coração.
Então, e agora?
Vais levantar essa tua massa corporal, acordar desse terrível pesadelo e mostrar quem deve ser a massacrar?
Não, não vais. Nem te consegues levantar, ficas imóvel durante todo esse tempo à espera que apareça um anjo. Mas, eles também não existem.
Tremes, e não te posso aquecer. Que ódio! Tudo o que sempre quiseste foi-te tirado, malditos ladrões.

Continua debaixo dessa folha de papel, isso aquecer-te-á. Alguém virá para te salvar, não morras ainda. Como eu, há quem te diga o quanto vencedor és! Não precisas de ser pecador, martirizar aqueles de quem mais gostas, rebentar com tudo, usar dinamite, ou engolir uma bomba nuclear!
Chora e depois seca as lágrimas! Sabes que és capaz, ou deverias saber.
Esses fantasmas serão os últimos a poder usar-te.
E, se as noites se tornarem muito frias..
.. usa um fósforo e o jornal.
De certeza que ficarão mais quentes.

Com amor, o soldado.