07 julho, 2012

Linhas ley..

Em ponto de repousar,
Tuas pálpebras colar,
Para um duende matar,
E todo o carbono sugar.
Ament confrontarás,
 E nada renunciarás,
Nem vinho nem pão,
Em tudo, sua ocasião.
"Eis que o fim culminou,
Nem salvaram os lung mei;
 Mas em nada lhes temei,
Um a um, a si cunhou."
Em consciência de feitiços,
Borboletas são rendimentos,
Homens se tornam noviços,
Nobres como encantamentos.


Apenas em teu interior,
Descobrirás único sabor;
Cometerás perverso ritual,
Mas em nada será lingual!
Essa tua orgânica fortaleza,
Que apelidam de singular;
Mas com rara extrema beleza,
Quem é que a merece olhar?
Pára! Não ouses tal questão
Nem que fosses tal Plutão;
Inquire, sim, "Onde estás?"
Ou nunca te sentirás.
Nem mesmo um fruto acolhido,

Por muito que seja escolhido,
Se pode tornar aquele seu filho
Se não passar tal tejadilho.


Olha agora, em teu redor,
Admira todo o esplendor;
Tem sempre tanto encanto,
Puro e santo como Taranto.
Neste tempo "eternamente",
Abre a mão, pensa e sente,
Pois tens agora imenso poder
Desde que conjugues o "querer".
Podes caçar todos os animais
E espetá-los nos teus portais;
Teu superior vais desarmar,
Ou ficas apenas a lamentar?
Onde formas ponto de ligação,
E talvez nem tenhas coração,
Podes erguer a tua varinha,
E aclamar-te de Rainha!

05 julho, 2012

Essencial:mente

Derivado de essência, essencialmente é o âmago magno da origem de tudo aquilo que existe. Contudo, nos confins das suas hierarquias, outrora nascera, de seu ventre, um fruto tirano.
"Ali veríeis galante, assim pelo corpo como pelas pernas, que, certo, assim parecia bem" - viria a anunciar o tão esperado vocábulo, de formosa construção, tão humilde e tão voraz.
Cresceu, fumou, sorriu, chorou, saltou, berrou e roubou. Como vocábulo de origem, seu Deus lhe dera oportunidade de experimentar seus semelhantes, e eis o resultado já escrito. Criado estava, Essencial, à imagem e semelhança de seu Deus, o majestoso dicionário, e possuía aquilo que seus "irmãos" não continham nas suas características vocabulares.
Semente amaldiçoada, cedo viria a influenciar. Sua tarefa terminada, pelas linhas familiares suas consequências criou. Mas, seu destino tinha gravado até sangrar que uma roxa magia o iria regenerar, não naquelas pequenas linhas, mas num horizonte imaginário a esses sujeitos escritos.
"Façamos o Homem à imagem e semelhança de Essencial", e sucesso pretendido, garantido e registado. Num recheado leque de opções, erro fatal, esse criador. Outrora se vivera num mundo puro, livre, sem leis, palavras e seu Deus; máquinas mágicas, invenções e pó de fada, e tudo palpitou um "adeus".
Essencial, o mestre, cresceu; surgiu, portanto, o Mente. Criatura estranha, deveras. Questionado sobre o que eventualmente seria, afirmou ser a consciência de Essencial, ou a inconsciência, ou as duas coisas. Por certo, nunca se concluiu qual a sua verdadeira utilidade, mas certamente essa não seria uma prioridade divina.
Enquanto isso, no mundo das criaturas de carne e osso, do Homem, digamos, também uma consciência foi criada. Essa não foi questionada, não haveria necessidade; afinal, foi criada à imagem, semelhança (e consciência) de um Deus, é óbvia a sua perfeição. Mente essa que evoluiu, no entanto, mas cujo nome "Mente" se transformou. Afinal, esse Deus não era tão deus, sua Mente continuou a mesma, e aí o aluno superou o mestre.
Mas, apesar de toda essa alegria, nenhuma semente se perde por completo, eis que aqui importa remeter-se a essência, a denominação. Se és Homem, e se tens consciência, não te martirizes, porque "Mente" é algo que te acompanha sempre.
Se há alguém que se deve chicotear e martirizar é, sem dúvida, o Essencial. Ai que malvado que esse menino foi.

08 janeiro, 2012

V - O Tempo

E a hora chegou!
Por baixo o destino marcou;
Numa linha de perfeição
Que me causa sufocação.
Batidas na cava veia,
Num sistema despercebido,
"O que é que você anseia?"
Nem sequer foi respondido.

Mas novo tempo, o Próprio deu.
E olhando a nuca, que aconteceu?
"Para teu ser basta olhar
Se o passado vais visitar."
Sem eu saber se creditar
Ou então se rebentar!

Foi opção o meio-verso
E só no fim atrás olhei
Mas sobre mim estou submerso
Sem respirar não viverei.
Tempo esse que causa dor
Que em sua vez sabe o que fez,
Onde está o Salvador?
Que não seja falso Marquês.

Tal hora está chegando
É requisito definir:
Se contra mim estou lutando
Ou A aceito sem sumir.
E mesmo sem ter fim,
Sem tudo debitar,
Quero voltar a mim,
Sem assim me atrasar.

07 janeiro, 2012

IV - Sol(ita)

Escassa-me o início
Para profunda solidão;
E não é fictício
O que procura o coração.
Por forma de santo, voaste;
Por mim, tuas asas juraste.
Mas onde elas estão?
Diz-me se nascerão!
E não me sabendo responder
Para trás, então, olhaste;
Se não sabes o que é sofrer,
Olha para mim, que fizeste?
Sem resposta obter, continuei
Sem nada me parar, te amei
Se nesta guerra de amargura
Nem tiraste a armadura.
Agora sabes o que rezar
Com teus olhos de escura cor?
Só não te tentes profanar,
Dessa forma sinto horror.
E apesar de ser "enfim"
Juras ter essa vontade;
Quando olhas para mim,
Porque dizes que é saudade?
Mata esse desculpar
Só me sinto aldrabado;
Quer me faça massacrar
Eu não posso terminar;
Não quero nenhum julgado
Não existe nenhum cruzado.

05 janeiro, 2012

III - Christmas Dream


Recinto alargado
Mórbidos sujeitos,
Ambiente alterado
Diferentes conceitos.
Penetrando pelo nada
Com norte para sul,
E uma abelha fulminada:
O céu já não é azul.
Não foi isto que aprendi
Relato apenas o que vi.

Nesta minha solução
A caneta é oração;
Possui renas e Assim,
Ditou, pois, o Querubim.
Branca armada mudou a cor
Negro era o seu calor.

Berra o galo por seu amor,
Tantas pessoas, só furor,
E tudo mostra esplendor...
Nesta dita exaustiva
Parte a parte é sugestiva
E caso queira enlouquecer
Vou ter de a obter.